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sábado, 25 de maio de 2019

Mensagem de texto: nasce uma nova língua?

 Mensagem de texto: nasce uma nova língua?

As mensagens de texto se tornaram virais e muito importantes nos dias atuais. Principalmente pela agitação e correria do dia a dia com inúmeras tarefas e deveres a serem feitos, parecendo até mesmo que 24 horas não são suficientes para apenas 1 dia, não é verdade?

No engarrafamento, intervalos entre reuniões e aulas, marcar encontros e entre sair de um lugar e chegar em outro é muito comum mandarmos aquela boa e velha mensagem de texto. Nas mensagens de texto, nós acabamos não escrevendo uma palavra inteira exatamente pela falta de tempo (ou seria economia de tempo?) e acabamos usando abreviações, como por exemplo, vc (você), tbm (também), pgto ou pgmt (pagamento) entre muitas outras. Assim, são formadas novas convenções ortográficas, em que a forma ortográfica ‘fds’ remete diretamente ao sentido fim de semana.  A informalidade e agilidade do uso de mensagens também trouxeram uma outra característica que é as mensagens escritas simulam a fala, apresentando um código híbrido com traços da oralidade e da escrita misturadas. Há quem diga que essa linguagem usada nas mensagens de texto (mas também presente na internet) é uma nova língua (por exemplo, no inglês já se fala de Netspeak) e que nós, consequentemente, nos tornamos bilíngues por dominarmos a nossa língua materna (português) e essa “nova língua”, com características próprias. Em português brasileiro, já há expressões que são próprias dessa “nova língua”, como o Pse (pois é) e o Sla (sei lá).

Mas como nosso cérebro atribui um significado a esse novo código ortográfico? A Neurociência responde.

Cientistas da Faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, fizerem um experimento com 16 participantes entre 18 e 25 anos falantes nativos de inglês, onde foram apresentadas a eles várias sentenças com ortografia padrão do inglês (língua escrita), como John likes to drink his coffee with milk and sugar (John gosta de beber seu café com leite e açucar) e exemplos de  sentenças escritas no estilo ortográfico das mensagens de texto, como “John likes 2 drink Hs Cofy w mlk & sgr”.

Eles observaram que houve uma resposta cerebral muito próxima em relação às palavras nas sentenças que tinham a ortografia padrão e às que tinham abreviações típicas usadas nas mensagens de texto, porém foi possível notar uma certa demora, porém mínima, no processamento cerebral das frases que tinham as abreviações em relação às que tinham palavras na norma padrão.


Cientistas conseguem observar essas diferenças a partir de ondas cerebrais que captam em resposta aos tipos de estímulos que os participantes vêem durante um experimento. Assim, podemos ver na figura acima que o pico cerebral que  marca o reconhecimento da palavra inserida em uma sentença com ortografia padrão (em azul) sobe e desce mais rápido, e que o pico em vermelho, que marca o reconhecimento da palavra em uma sentença com ortografia tipo mensagem de texto, demora mais para subir e descer.

Vários estudos mostram que o reconhecimento de palavras é ultra-rápido (menos que metade de um segundo!), e o que poderia explicar isso é que as palavras previsíveis no contexto no qual estão inseridas são mais fáceis de acessar na memória devido à pré-ativação de recursos lexicais ou conceituais relevantes pelo contexto de suporte (ex. a palavra açúcar é facilmente reconhecida no contexto de John gosta de café com leite e....). Assim, é mais simples e rápido para o cérebro decodificar e atribuir um significado a uma palavra que esteja escrita na forma padrão da língua do que na forma utilizada nas mensagens de texto, cujo reconhecimento não chega a ser tão automático. Exemplificado este resultado, se torna mais rápido o reconhecimento da palavra “ônibus” numa frase como:

“Não sei que horas vou chegar, perdi o ônibus.”

do que como:

“N sei q hrs vou chegar perdi o bus”

Ambas as frases são passíveis de entendimento pelos falantes nativos de português, exatamente devido ao contexto em que ambas as palavras estão.

Os autores do estudo em questão perceberam que a forma da onda cerebral em resposta à escrita tipo mensagem se parece muito com as respostas cerebrais que se têm obtido quando pessoas leem palavras em uma segunda língua que aprenderam. Ou seja, lendo na sua L2, as pessoas tendem a processar as palavras um pouco mais lento e com menos eficiência do que na sua primeira língua. É exatamente esse fato que faz com que alguns estudiosos questionem a possibilidade da linguagem usada nas mensagens de texto se tornar (ou já se tornou?) uma nova língua.

Desta forma, uma pessoa que não seja usuário frequente da troca de mensagens provavelmente não irá conseguir atribuir um valor semântico (ou seja, um significado) às abreviações que podem ser óbvias para um frequentador ávido do zap. Assim, quem não está familiarizado com esse novo código precisa ser exposto a essa “nova língua” para entender as abreviações. Sendo assim, ser exposto a essa “língua” faria com que essas e outras abreviações possam configurar uma língua, tendo em vista que quando falamos em aprender uma língua, a exposição é um fator marcante.

Outra reflexão interessante que o estudo traz à tona é que, embora as abreviações possam ser práticas na hora de teclar, a sua leitura, comparada à ortografia padrão, demora mais. Bom para quem tem preguiça de teclar, mas custoso para quem tem que ler!

E vc? Oq acha disso? Tvz isso seja 1 nv língua msm q esteja snd criada!