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terça-feira, 3 de julho de 2018

Mito ou verdade: bebês conseguem ouvir ainda dentro do útero?


É muito comum ouvirmos histórias de grávidas que conversam com seus filhos durante toda a gestação. Essas mães, muitas de forma puramente intuitiva, conseguem sim se comunicar com seus bebês e de certa forma o tornam conscientes dos padrões prosódicos de sua língua materna. De acordo com um estudo realizado por pesquisadores de Boston, através de exames de neuroimagem, é possível verificar que bebês recém nascidos demonstram uma maior ativação cerebral quando expostos àquilo que ouviam quando estavam ainda dentro do útero, tais sons podem ser; a voz da própria mãe, algumas músicas e também o som das batidas do coração de suas mães. Mais do que carinho de mãe, conversar com o bebê dentro da barriga, é ciência.
Com 26 semanas de gestação o sistema auditivo do bebê já está completamente formado. Se entendemos que a familiarização com a linguagem começa a partir do momento que o feto é exposto a qualquer tipo de som, podemos concluir que começamos a nos familiarizar com melodias rítmicas, prosódia e aos fonemas, antes mesmo de nascermos, através de estímulos que nos chegam através das paredes intra-uterinas. Na aquisição de linguagem, isto será valioso, pois o bebê já estará apto a distinguir sons do mundo da voz humana, por exemplo.  Desta forma, excetuando-se os sons do próprio corpo da mãe, como as batidas de seu coração, podemos dizer que a voz da mãe é o primeiro som que um bebê ouve, através do que muitos pesquisadores chamam de condução óssea, como se, pelos ossos da mãe, os sons de sua fala reverberassem até atingir o ouvido do bebê.

“O bebê humano adquire durante a sua vida intra-uterina alguma familiaridade com uma vaga gama de sonoridades provenientes de sua mãe. Essa familiaridade faz com que o bebê esteja, logo à nascença, muito mais atento aos sons humanos do que a sons não-humanos e traduz-se numa adaptação prévia do bebê à sociedade humana em geral e à língua da mãe em particular” (Figueiredo, 2001). Estudos de EEG feitos por cientistas canadenses indicaram uma maior atividade no hemisfério esquerdo do cérebro, fortemente associado ao processamento da linguagem na maioria dos seres humanos, quando recém nascidos ouviam sua língua materna em oposição à escuta de uma língua inventada, ou, língua estrangeira. Uma prova de que, de fato, no útero, os bebês conseguem ouvir e apresentam predileção por sons que já conhecem.

        Tais estudos apontam para a importância da prática de se conversar com o bebê ainda no útero, pois, a partir do resultado obtido por esses estudos, se conclui que o processamento neural de linguagem de um bebê que acabou de nascer é associado à experiência inicial de linguagem, adquirida dentro do útero.  Conforme verificado, havia uma clara preferência à língua materna em oposição à língua estrangeira, o que prova que antes do nascimento, o cérebro do bebê já passa por uma certa adequação para a linguagem a que será exposto. Desta forma, entendemos que, mães que conversam com seus bebês ainda na barriga estão desenvolvendo importante papel para o desenvolvimento da audição e aquisição de fala de seus filhos, após o nascimento.