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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

DEL é a mesma coisa que autismo, deficiência intelectual ou dislexia?


O Déficit Específico da Linguagem é uma complicação para adquirir e desenvolver a linguagem e a fala, que, até onde se sabe, provavelmente, tem origem genética. Ao que parece, a criança possui todas as condições para falar, porém apresenta um desempenho para se comunicar abaixo do esperado para a sua idade.  Embora brinque e interaja normalmente, a linguagem (fala) não acompanha a evolução prevista para a fase em que se encontra no desenvolvimento.

Como saber, então, que a complicação no desenvolvimento da fala é, de fato, um caso de DEL ou se trata de alguma doença que tenha relação com problemas auditivos, ou falta de estímulos, ou ainda, o sinal de outros tipos de transtornos de desenvolvimento como o Autismo, a Dislexia e a Deficiência Intelectual? Um atraso no desenvolvimento da produção da fala pode ser o indício de um quadro denominado de Déficit Específico de Linguagem, quando a criança aparentemente possui todas as condições de desenvolver a linguagem e a fala, mas este desenvolvimento não ocorre conforme o esperado. Geralmente são os pais os primeiros a perceberem os problemas no desenvolvimento linguístico da criança, que ocorre por volta dos dois ou três anos de idade, quando algumas crianças não falam, ou demoram a iniciar a produção das primeiras palavras ou demoram um pouco mais para aprender novas palavras ou ainda não conseguem combinar palavras para formar sentenças.  A grande estudiosa das causas do DEL, Dorothy Bishop, relata que aproximadamente 3 a 10% das crianças ingressando no sistema escolar apresentam características do DEL.
As dificuldades para o desenvolvimento da fala podem ser variadas e dependem da gravidade do quadro e podem persistir até a idade adulta. Existem casos mais graves em que as crianças dificilmente irão desenvolver uma fala típica, como também existem casos mais leves, nos quais a manifestação mais comum pode ser a dificuldade em adquirir os sons da língua. Para uma melhora significativa do desenvolvimento da fala o diagnóstico precoce e correto é fundamental para que seja traçado um planejamento terapêutico específico para cada caso e também para que tanto os pais quanto os professores possam receber esclarecimentos e orientações sobre o problema. E esse diagnóstico inicial, normalmente, é feito por exclusão de outros problemas, como a deficiência auditiva, intelectual ou até mesmo o autismo. Essa exclusão pode ser complicada, pois, em muitas vezes, os quadros, embora de naturezas diferentes, podem ser sobrepor, logo, mesmo que raro, uma criança portadora de DEL também pode ser portadora de dislexia, por exemplo.
Primeiramente investiga-se se há algum problema auditivo, se a alguma dificuldade é específica da área da linguagem ou se outros aspectos do desenvolvimento da criança também são afetados, se existe algum problema emocional grave, se em casa está faltando estímulos para o desenvolvimento da fala e da linguagem, ou se há possíveis síndromes e distúrbios psiquiátricos que possam estar desencadeando os distúrbios comunicacionais identificados na criança. Caso todas essas causas forem excluídas e, a partir de testes específicos, for confirmada uma alteração no processo de desenvolvimento da fala e da linguagem, podemos estar diante de um quadro de Déficit Específico da Linguagem - DEL. São sinais indicativos de DEL: o aparecimento da fala lento ou atrasado, a compreensão pode ser normal ou pode estar alterada, dificuldade em combinar palavras para formar frases, presença de alterações fonológicas (troca de sons na fala), presença de alterações morfossintáticas (não consegue estruturar adequadamente uma frase), dificuldade com verbos e preposições, flexionamento verbal e nominal ausente ou inadequado, dificuldade na organização na sequencia de palavras nas frases (invertem a ordem das palavras), fala ininteligível, vocabulário restrito, dificuldade para aprender novas palavras, não conseguem relatar fatos ou recontar histórias, apresenta sérias dificuldades para aprender a leitura e escrita (transtornos de aprendizagem).
O DEL pode gerar algumas consequências para a aquisição da escrita e do processo de aprendizagem da leitura. As crianças portadoras de DEL, em geral, não conseguem se alfabetizar na idade prevista e podem possuir sérias dificuldades para acompanhar as atividades de sala de aula, pois elas não conseguem compreender a relação entre o som e a escrita e com isso a aquisição e o desenvolvimento da linguagem oral são determinantes para o aprendizado da leitura e escrita. Vale ressaltar que, embora haja sintomas semelhantes, a patologia do DEL é distinta da patologia da Dislexia, essa é um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração. Essas dificuldades normalmente resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem e são inesperadas em relação à idade e outras habilidades cognitivas.
Por trás da deficiência da linguagem não estar um problema similar ao do autismo, que é o interagir com o outro, nem é um problema visual-fonológico como é o dos portadores de dislexia. Qual seria então o problema dos portadores de DEL? A causa do DEL é incerta, porém há indicativos que as crianças portadoras podem ter um funcionamento anormal da área cerebral responsável pelo processamento da linguagem, embora o cérebro destas crianças pareça ser apto a aprender e processar a linguagem. Há indícios que a influência genética parece se relacionar com a organização das áreas cerebrais responsáveis pela linguagem. Em alguns casos, as más formações dos giros do córtex cerebral podem ser detectadas com exames de ressonância magnética, porém ainda não se entende, completamente, qual é a relação entre esses dados e a competência linguística da criança portadora de DEL.


O que ajuda em um diagnóstico precoce é que os pais fiquem atentos ao desenvolvimento da linguagem da criança, as crianças com um ano já começam a falar as primeiras palavras, como mamãe e papai, e com um ano e meio elas já conseguem juntar duas palavras e a partir dos dois anos já começam a formar pequenas frases. Quando isso não acontecer é importante que os pais busquem uma orientação profissional.