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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Top 3: artigos recomendados





Nº 1:
Atividade neuronal é um preditor da facilidade de aprendizagem de uma segunda língua

Resting-state qEEG predicts rate of secondlanguage learning in adults Prat et al., 2016

Esses pesquisadores descobriram que o padrão de onda cerebral de uma pessoa enquanto ela está relaxada, ou em estado de repouso, diz muito sobre o potencial de aprendizagem de uma 2ª língua. Os participantes deste estudo fizeram um curso de francês intensivo, de estilo imersão total, e passaram por medidas de Eletro Encéfalo Grafia (EEG) no início e final desse curso. Além de participar do curso, eles fizeram testes que medem inteligência fluída, funcionamento executivo e capacidade de memória. O interessante é que as pontuações desses testes não correlacionam com o sucesso da aprendizagem. Podemos inferir  que testes como esses não avaliam de forma eficiente se alguém terá um processo de aprendizagem bem sucedida. Já com medidas de EEG, enquanto a pessoa não está submetida a tarefa ou exigência nenhuma, pesquisadores podem fazer previsões sobre o sucesso de aprendizagem de um indivíduo, baseado nas informações extraídas sobre o funcionamento do cérebro de um indivíduo (especificamente sobre a atividade em certos intervalos de frequências, beta e gamma).


Nº 2:
A neurociência comprova: pessoas que aprendem uma segunda língua desenvolvem vantagens cognitivas gerais

Neste artigo, os autores defendem a teoria de vantagem bilíngue. Essa teoria diz que pessoas que adquiriram mais de uma língua desenvolvem uma vantagem cognitiva geral. Pessoas usuárias de duas línguas precisam constantemente equilibrar o nível de ativação de uma língua, inibindo-na, enquanto estão interagindo na outra. Isso treinaria o controle executivo, o nosso ‘gerente’ cerebral que decide para onde direcionamos nossa atenção e quais recursos cognitivos são dedicados a uma determinada tarefa. O controle executivo decide, por exemplo, que língua sai da nossa boca, já que, mesmo sabendo duas línguas, só podemos falar um a cada vez. Já bilíngues de uma língua falada e uma línguas de sinais (como português e libras) podem falar e sinalizar línguas ao mesmo tempo, e, portanto, não têm a necessidade de um controle executivo aprimorado. No estudo, os pesquisadores mostraram que bilíngues de inglês-espanhol têm maior volume de massa cinzenta no lobo frontal, tido como indicador da função do controle executivo, do que monolíngues de inglês e, também, de bilíngues inglês- língua de sinais americana.


Nº 3:
O cérebro de crianças adotadas lembra da primeira língua, mesmo quando elas mesmas esqueceram


Os autores deste estudo investigaram se pessoas adultas adotadas enquanto bebês ainda têm um resquício da língua à qual foram expostas logo ao nascer. Eles compararam um grupo de falantes nativos de holandês com um grupo de pessoas adotadas de Coréia, que não lembravam mais nada do coreano, e que falam o holandês como se fosse a sua língua mãe. Porém, muitos estudos já demostraram que bebês desenvolvem a percepção dos sons da fala logo nos primeiros meses de vida. Então, seria possível que o grupo dos adotados ainda teriam algum conhecimento fonológico escondido no cérebro deles, fora da alcance da sua lembrança consciente. Ambos os grupos foram treinados durante uns 10 dias em consoantes típicas da língua coreana que não existem em holandês. Depois disso, eles tinham que repetir esses sons a partir de uma gravação. Acabou que o grupo dos adotados produziam pronúncias sistematicamente melhores do que o grupo dos falantes nativos de holandês. Isso poderia sugerir que pelo treinamento algum traço de conhecimento inconsciente for realçado, que fez com que os adotados se dessem melhor na tarefa de pronúncia.